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domingo, 10 de junho de 2012

Léon Denis

Dados pessoais:
Nome: Léon Denis
Nascimento: 1846
Homem: filósofo e espírita
Desencarne: 1927.
1. ASPECTOS GERAIS
Instruído na Maçonaria. Sua vivência no Espiritismo foi acompanhada pelos ensinamentos fornecidos pelos seus guias espirituais: Sorella, Durand e Jerônimo de Praga. Inicialmente, solicitaram-lhe a devida preparação para se tornar um orador e escritor; depois, fortaleceram-lhe o ânimo, dizendo-lhe para não se preocupar, pois estariam ao seu lado em todos os momentos da vida.
2. LÉON DENIS E ALLAN KARDEC
Léon Denis e Allan Kardec têm, entre si, íntima relação. Ambos são druídas reencarnados, pois viveram nas Gálias, no século V a. C.. O nome Léon Denis está escrito no de Kardec, ou seja, Hippolyte LEON DENIZard Rivail. São Jerônimo de Praga, seu guia espiritual, fora discípulo de João Huss (encarnação anterior de Kardec), os dois queimados vivos, no Século XV, por ordem do Concílio de Constança.
3. MOVIMENTO ESPÍRITA
A propagação do Espiritismo não foi tarefa fácil. Como acontece com toda a idéia nova, sofreu, também, os ataques de seus opositores. Léon Denis teve de lutar contra o materialismo, a falta de idealismo, o cientificismo e o positivismo de Augusto Comte, que grassavam nas universidades. As conferências, os congressos e os livros publicados foram suas armas para a divulgação e a consolidação do edifício doutrinário, alicerçado pelas pesquisas e análises de Allan Kardec.
4. DETALHE IMPORTANTE
A integridade de seu caráter criava-lhe condições necessárias para o cumprimento do seu dever. Ao cogito ergo sum de Descartes, acrescenta: "Eu sou e quero ser sempre mais do que sou". Vegetariano, dizia que não havia bebida melhor do que a água. De moral elevada, procurava cumprir tudo o que prometia. Tornou-se, com o tempo, um autodidata, o que lhe conferia pensar com a própria cabeça.
5. OBRAS
Escreveu, entre outras, as seguintes obras: 
Porquê da Vida, 1885;
Depois da Morte, 1890;  
Cristianismo e Espiritismo
, 1898;  
Joana D'Arc Médium
, 1910;  
O Grande Enigma
, 1911;  
O Mundo Invisível e a Guerra
, 1919;  
O Gênio Céltico e o Mundo Invisível
, 1927.
Fonte de Consulta

LUCE, G. Vida e Obra de Léon Denis. São Paulo, Edicel, 1968.

José Herculano Pires


Dados pessoais:
Nome:
 José Herculano Pires
Nascimento:
 25 de setembro de 1914, em Avaré, São Paulo 
Homem:
 jornalista, filósofo, conferencista espírita.
Desencarne:
 9 de março de 1979, em São Paulo.
1. ASPECTOS GERAIS
J. H. Pires revelou sua vocação literária desde que começou a escrever. Aos 16 anos publicou o seu primeiro livro, Sonhos Azuis (contos) e aos 18 anos o segundo livroCoração (poemas livres e sonetos). Em 1946 publicou o seu primeiro romance, O Caminho do Meio, que mereceu críticas elogiosas de Afonso Schimidt, Geraldo Vieira e Wilson Martins. Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados onde manteve, também, por quase 20 anos, a coluna espírita com o pseudônimo de Irmão Saulo. Em 1958 bachalerou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo, e pela mesma licenciou-se em Filosofia tendo publicado uma tese existencial: O Ser e a Serenidade.
2. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
Desde a adolescência que temas filosóficos, inclusive de caráter religioso, interessaram Herculano Pires. Nascido em família católica, permaneceu no catolicismo até os quinze anos de idade. Depois, veio a crise. Mas, o que o levou a converter-se ao Espiritismo? Numa entrevista gravada por Jorge Rizzini, disse ter sido o raciocínio, pois a religião que professava não o explicava convincentemente. Contudo, não foi direto para o Espiritismo; passou antes pela Teosofia. Caindo-lhe nas mãos um exemplar de O Livro dos Espíritos, encontrou tudo o que procurava.
3. MOVIMENTO ESPÍRITA
Defensor inconteste da Doutrina Espírita, era um conferencista ardoroso. Combateu erros doutrinários, principalmente aqueles cometidos pelas Federações. A cada correção dava as suas razões. Não queria que um órgão coordenador do movimento espírita pudesse propagar falhas doutrinárias. 
4. OBRAS ESPÍRITAS
Entre seus livros espíritas, citamos:
Introdução à Filosofia Espírita, pela Paidéia;
Mediunidade (Vida e Comunicação), pela Edicel;
O Espírito e o Tempo, pela Edicel;
Agonia das Religiões, pela Paidéia;
Revisão do Cristianismo, pela Paidéia;
Ciência Espírita, pela Paidéia.
Curso Dinâmico de Espiritismo, pela Paidéia.
Centro Espírita, pela Paidéia.

Fonte: RIZZINI, Jorge. J. Herculano Pires: O Apóstolo de Kardec. São Paulo: Paidéia, 2001.
Fonte:http://www.ceismael.com.br/bio/biografia-jose-herculano-pires.htm

João Huss


João Huss, encarnação anterior de Allan Kardec, viveu num século de contradições religiosas. Pregador da Universidade de Praga, nasceu em Hussinet, perto de Fichtelgebirge, na Boêmia, cerca da fronteira bávara e do limite lingüístico entre o alemão e o checo, em 1373, e morreu queimado na fogueira em 1415.
Huss foi influenciado pelas idéias de Wiclef (1333-1384), teólogo e reformador inglês. Wiclef desenvolveu alguns tratados sobre o dominiun, ou seja, a idéia de que o poder vem de Deus e apenas é legítimo naqueles que se encontram em estado de graça. As suas teses contrariavam os interesses da Igreja católica: expressava-se contra o poderio papal, os votos religiosos, os benefícios e riquezas do clero, as indulgências e a concepção tradicional acerca do sacerdócio. Com isso sofreu inúmeras admoestações por parte do clero.
Huss, como professor da Universidade de Praga, distinguiu-se nas discussões mais abstratas e no conhecimento de Aristóteles, da Bíblia e dos Santos Padres. Buscou no escritos de Matias Janov e Chtitny a solução para as suas inquietudes religiosas. Matias Janov e Chtitny propagavam a consideração da Bíblia como única fonte de verdade e de fé. Essa influência afastou Huss da doutrina católica e sua heterodoxia se reforçou na leitura das obras de Wiclef, particularmente do Dialogus e Trialogus, trazidas de Oxford por Jerônimo de Praga.
A Igreja, naquela época, estava em crise: dividida pelo Cisma do Ocidente, ameaçada pela ressurreição das antigas heresias e a formulação de novos postulados antidogmáticos. Eis que surge na Boêmia um outro foco, muito mais perigoso que o de Wiclef. É que Huss apresenta-se como reformador religioso e como caudilho nacional, papel muito semelhante, desempenhado um século mais tarde, por Lutero na Alemanha.
Huss, tradutor das obras de Wiclef, propagou várias teses antidogmáticas. Baseando-se nos escritos de Wiclef, negou a necessidade de confissão auricular, atacou como idolátrico o culto de imagens, da Virgem Maria e dos Santos e a infalibilidade papal. Com isso, teve a ira do clero contra a sua pessoa, que após várias admoestações acabou sendo queimado no dia 06/07/1415. Ao seu lado morreu Jerônimo de Praga.
A sua luta não foi em vão. Depois disso, houve mais tolerância entre os credos religiosos.

Fonte de Consulta

CANTU, C. , SEIFERT, J. L. Os Titãs da Religião.
VERBO ENCICLOPEDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa, Editorial Verbo, 1976. 

Gabriel Delanne

Dados pessoais:   
Nome
: François-Marie-Gabriel Delanne  
Nascimento
: 23/03/1857, em Paris, França.  
Homem
: cientista, engenheiro, filósofo e espírita.  
Desencarne
: fevereiro de 1926.
1. NOTAS INTRODUTÓRIAS
Allan Kardec, Léon Denis e Gabriel Delanne merecem, por seu devotamento à Ciência Espírita, serem chamados"Apóstolos do Espiritismo". Dentre eles, apenas Gabriel Delanne nasceu numa família que já conhecia o Espiritismo. Allan kardec, quando iniciou as suas atividades espíritas, já tinha 51 anos. Léon Denis, a seu turno, viveu 16 anos sem ter ouvido falar de Espiritismo.

2. A FAMÍLIA DELANNE
Seu pai, Alexandre Delanne, ao viajar em negócios, ouviu falar do Espiritismo, o que lhe ensejou a leitura de O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns. Depois dessa leitura, teve a curiosidade de conhecer pessoalmente Allan Kardec. Fê-lo, e foi acolhido fraternalmente pelo Codificador do Espiritismo. Tornaram-se amigos, a ponto de Allan Kardec freqüentar a sua casa. Foi dentro desse ambiente que cresceu Gabriel Delanne. Em fins de 1889, Alexandre funda o seu Grupo Espírita, e sua esposa torna-se uma excelente médium-escrevente. É assim que, desde o começo de sua vida, já estava familiarizado com o vocabulário espírita.

3. FORMAÇÃO DE GABRIEL DELANNE
Estudou no Colégio de Cluny (Saône-et-Loire), em seguida, com seu irmão Ernesto, no Colégio de Gray (Haute-Saône).
Formou-se em Engenharia, e trabalhou como engenheiro na Companhia de Ar Comprimido e Eletricidade Popp, onde permaneceu até 1892.

4. PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA
- Foi fundador, juntamente com seu pai, da União Espírita Francesa, em 24/12/1882; - Colaborador e redator da revista bimensal Le Spiritism, em março de 1883; - Auxiliou na fundação da Federação Francesa-Belgo-Latina, em 1883; - Durante os anos de 1886, 1887, 1888, 1889 e 1890 fez inúmeras conferências de propaganda do Espiritismo. - Em julho de 1896 apareceu o 1.º número da Revista Científica Moral do Espiritismo, fundada por Gabriel Delanne.

5. OBRAS QUE NOS DEIXOU
Le Spiritisme devant la Science (O Espiritismo perante a Ciência), em 1885;
Le Phénomène Spirite (O Fenômeno Espírita), em 1896;
L’Évolution Animique (A Evolução Anímica), em 1897;
Recherches sur la Médiumnité (Pesquisas sobre a Mediunidade), em 1898;
L’Âme est Immortelle (A Alma é Imortal), em 1897;
Les Apparitions Matérialisés des Vivants et des Mort, tome I (As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos, 1.º volume), em 1909;
Les Apparitions Matérialisés des Vivants et des Mort, tome II (As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos, 2.º volume), em 1911;
La Réincarnation (Documentos para Servir ao Estudo de Reencarnação), em 1927.
Observação: para maiores informações, consulte a obra Gabriel Delanne: Sua Vida, seu Apostolado, sua Obra, de BODIER, Paul e REGNAULT, Henri (Rio de Janeiro, C. E. Léon Denis, 1988), da qual foi tirado o presente resumo. 

Eurípedes Barsanulfo

Dados pessoais:   
Nome
: Eurípedes Barsanulfo.  
Nascimento
: 1.º/05/1880, em Sacramento, Minas Gerais
Homem: professor, político e espírita.  
Desencarne
: 1.º/11/1918 (38 anos), na mesma cidade.
1. INTRODUÇÃO
O jornal O Bora, Semanário Independente de Sacramento, em 17 de novembro de 1918 edita uma nota longa sobre esta personalidade. Diz que "A vida de Eurípedes Barsanulfo é um fato um tanto raro na história da humanidade. Compenetrado dos elevados sentimentos de caridade e amor do próximo, só procurou fazer o bem pelo bem, auxiliando sempre os mais necessitados ... Esse vulto eminente, essa alma toda cheia de bondade, não teve ódio nem rancor de ninguém ... A humildade foi um dos traços predominantes de seu caráter reto, sempre averso aos gozos efêmeros da vida terrena".
2. LIDERANÇA JUVENIL
Era ainda bem moço, porém muito estudioso e com tendências para o ensino, por isso foi incumbido pelo seu mestre-escola de ensinar aos próprios companheiros de aula. Respeitável representante político de sua comunidade, tornou-se secretário da Irmandade de São Vicente de Paula, tendo participado ativamente da fundação do jornal "Gazeta de Sacramento" e do "Liceu Sacramentano". Logo viu-se guindado à posição natural de líder, por sua segura orientação quanto aos verdadeiros valores da vida.
3. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
Através de informações prestadas por um dos seus tios, tomou conhecimento da existência dos fenômenos espíritas e das obras da Codificação Kardequiana. Diante dos fatos voltou totalmente suas atividades para a nova Doutrina, pesquisando por todos os meios e maneiras, até desfazer totalmente suas dúvidas.
Despertado e convicto, converteu-se sem delongas e sem esmorecimentos, começando a sofrer, inclusive no seio familiar, as conseqüências de sua atitude incompreendida. Persistiu lecionando e entre as matérias incluiu o ensino do Espiritismo, provocando reação em muitas pessoas da cidade, sendo procurado pelos pais dos alunos, que chegaram a oferecer-lhe dinheiro para que voltasse atrás quanto à nova matéria e, ante sua recusa, os alunos foram retirados um a um.
4. PERSEGUIÇÕES E MEDIUNIDADE
Sob pressões de toda ordem e impiedosas perseguições, Eurípedes sofreu forte traumatismo, retirando-se para tratamento e recuperação em uma cidade vizinha, época em que nele desabrocharam várias faculdades mediúnicas, em especial a de cura, despertando-o para a vida missionária. Um dos primeiros casos de cura ocorreu justamente com sua própria mãe que, restabelecida, se tornou valiosa assessora em seus trabalhos.
A produção de vários fenômenos fez com que fossem atraídas para Sacramento centenas de pessoas de outras paragens, abrigando-se nos hotéis e pensões, e até mesmo em casas de famílias, pois a todos Barsanulfo atendia e ninguém saía sem algum proveito, no mínimo o lenitivo da fé e a esperança renovada e, quando merecido, o benefício da cura, através de bondosos Benfeitores Espirituais.
5. FUNDAÇÃO DO G. E. ESPERANÇA E CARIDADE
Auxiliava a todos, sem distinção de classe, credo ou cor e, onde se fizesse necessária a sua presença, lá estava ele, houvesse ou não condições materiais. Jamais esmorecia e, humildemente, seguia seu caminho cheio de percalços, porém animado do mais vivo idealismo. Logo sentiu a necessidade de divulgar o Espiritismo, aumentando o número dos seus seguidores. Para isso fundou o "Grupo Espírita Esperança e Caridade", no ano de 1905, tarefa na qual foi apoiado pelos seus irmãos e alguns amigos, passando a desenvolver trabalhos interessantes, tanto no campo doutrinário, como nas atividades de assistência social.
Certa ocasião caiu em transe em meio dos alunos, no decorrer de uma aula. Voltando a si, descreveu a reunião havida em Versailles, França, logo após a I Guerra Mundial, dando os nomes dos participantes e a hora exata da reunião quando foi assinado o célebre tratado.
6. FUNDAÇÃO DO COLÉGIO ALLAN KARDEC
Em 1.º de abril de 1907, fundou o Colégio Allan Kardec, que se tornou verdadeiro marco no campo do ensino. Esse instituto de ensino passou a ser conhecido em todo o Brasil, tendo funcionado ininterruptamente desde a sua inauguração, com a média de 100 a 200 alunos, até o dia 18 de outubro, quando foi obrigado a cerrar suas portas por algum tempo, devido à grande epidemia de gripe espanhola que assolou nosso país.
Seu trabalho ficou tão conhecido que, ao abrirem-se as inscrições para matrículas, as mesmas se encerravam no mesmo dia, tal a procura de alunos, obrigando um colégio da mesma região, dirigido por freiras da Ordem de S. Francisco, a encerrar suas atividades por falta de freqüentadores.
7. DEBATES RELIGIOSOS
Liderado a pulso forte, com diretriz segura, robustecia-se o movimento espírita na região e esse fato incomodava sobremaneira o clero católico, passando este, inicialmente de forma velada e logo após, declaradamente, a desenvolver uma campanha difamatória envolvendo o digno missionário e a doutrina de libertação, que foi galhardamente defendida por Eurípedes, através das colunas do jornal "Alavanca", discorrendo principalmente sobre o tema: "Deus não é Jesus e Jesus não é Deus", com argumentação abalizada e incontestável, determinando fragorosa derrota dos seus opositores que, diante de um gigante que não conhecia esmorecimento na luta, mandaram vir de Campinas, Estado de S. Paulo, o reverendo Feliciano Yague, famoso por suas pregações e conhecimentos, convencidos de que com suas argumentações e convicções infringiriam o golpe derradeiro no Espiritismo.
Foi assim que o referido padre desafiou Eurípedes para uma polêmica em praça pública, aceita e combinada em termos que foi respeitada pelo conhecido apóstolo do bem.
No dia marcado o padre iniciou suas observações, insultando o Espiritismo e os espíritas, "doutrina do demônio e seus adeptos, loucos passíveis das penas eternas", numa demonstração de falso zelo religioso, dando assim testemunho público do ódio, mostrando sua alma repleta de intolerância e de sectarismo.
A multidão que se mantinha respeitosa e confiante na réplica do defensor do Espiritismo, antevia a derrota dos ofensores, pela própria fragilidade dos seus argumentos vazios e inconsistentes.
O missionário sublime, aguardou serenamente sua oportunidade, iniciando sua parte com uma prece sincera, humilde e bela, implorando paz e tranqüilidade para uns e luz para outros, tornando o ambiente propício para inspiração e assistência do plano maior e em seguida iniciou a defesa dos princípios nos quais se alicerçavam seus ensinamentos.
Com delicadeza, com lógica, dando vazão à sua inteligência, descortinou os desvirtuamentos doutrinários apregoados pelo Reverendo, reduzindo-o à insignificância dos seus parcos conhecimentos, corroborado pela manifestação alegre e ruidosa da multidão que desde o princípio confiou naquele que facilmente demonstrava a lógica dos ensinos apregoados pelo Espiritismo.
Ao terminar a famosa polêmica e reconhecendo o estado de alma do Reverendo, Eurípedes aproximou-se dele e abraçou-o fraterna e sinceramente, como sinceros eram seus pensamentos e suas atitudes.
8. DESENCARNE
Barsanulfo seguiu com dedicação as máximas de Jesus Cristo até o último instante de sua vida terrena, por ocasião da pavorosa epidemia de gripe que assolou o mundo em 1918, ceifando vidas, espalhando lágrimas e aflição, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes de invadir o continente americano, sempre falando na gravidade da situação que ela acarretaria.
Manifestada em nosso continente, veio encontrá-lo à cabeceira de seus enfermos, auxiliando centenas de famílias pobres.
Havia chegado ao término de sua missão terrena.
Esgotado pelo esforço despendido, desencarnou no dia 1.º de novembro de 1918, às 18 horas, rodeado de parentes, amigos e discípulos.
Sacramento em peso, em verdadeira romaria, acompanhou-lhe o corpo material até a sepultura, sentindo que ele ressurgia para uma vida mais elevada e mais
9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

NOVELINO, CORINA. Eurípedes, o Homem e a Missão. 3.ed., Araras/SP, IDE, 1979.
Grandes Vultos do Espiritismo

Ernesto Bozzano


Dados pessoais:Nome: Ernesto Bozzano  
Nascimento
: 1861, em Gênova, Itália.  
Homem
: cientista, filósofo e espírita.  
Desencarne
: 7 de julho de 1943, na mesma cidade.
1. NOTAS INTRODUTÓRIAS
Positivista dos mais eméritos, Bozzano apaixonou-se por todos os ramos do saber humano, entregando-se ao estudo dos grandes filósofos. Dos postulados materialistas passou a esposar uma forma de materialismo dos mais intransigentes, o que levou a declarar mais tarde: "Fui positivista-materialista a tal ponto convencido, que me parecia inverossímil pudessem existir pessoas cultas, dotadas normalmente de sentido comum, que pudessem crer na existência e sobrevivência da alma".

2. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
Em 1891 o professor Ribot, diretor da "Revista Filosófica", informou-o do lançamento da revista "Anais das Ciências Psíquicas", dirigida pelo Dr. Darieux, sob a inspiração do professor Charles Richet. A sua primeira impressão sobre a revista foi desairosa, dado o fato de considerar verdadeiro escândalo a circunstância de representantes da ciência oficial discutirem seriamente a possibilidade da transmissão do pensamento de um a outro continente, da aparição de fantasmas e das casas mal-assombradas. O prof. Rosenbach de Peterburgo escrevera violento artigo na "Revista Filosófica", contra a introdução desse novo misticismo no domínio da psicologia oficial. Na edição subseqüente, Richet refutou ponto por ponto, as afirmações errôneas de Rosenbach e as suas inconsistentes considerações, tendo esse artigo o mérito de convencer Bozzano. Nesses mesmos dias aparecia o famoso livro de Gurney, Podmore e Myers: "Fantasmas dos Vivos", relatando grande número de casos devidamente controlados e bem documentados. Os últimos resquícios de dúvida de Bozzano em torno da crença na existência de fenômenos telepáticos foram assim dissipados. Daí por diante dedicou-se, com fervor, ao estudo dos fenômenos espíritas, através das obras de Kardec, Léon Denis, Delanne, Gibier, Crookes, Wallace e outros.

3. GRUPO EXPERIMENTAL
Formou um grupo com a participação do Dr. Giuseppe Venzano, Luigi Vassalo e os professores Enrique Morselli e Francisco Porro, da Universidade de Genova. Esse grupo deu o que falar à imprensa italiana e estrangeira, pois praticamente havia se obtido a realização de quase todos os fenômenos, culminando com a materialização de seis espíritos perfeitamente visíveis.

4. OBRAS
Hipótese Espírita e a Teoria Científica;
Dos Casos de Identificação Espírita;
Dos Fenômenos Premonitórios;
A Primeira Manifestação de Voz Direta na Itália;
Animismo e Espiritismo;
Pensamento e Vontade;
Os Enigmas da Psicometria;
A Crise da Morte;
Xenoglossia;
Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte.

Fonte: Anuário Espírita de 1966, Araras, Ide, 1966.

Divaldo Pereira Franco

Dados pessoais:
Nome: Divaldo Pereira Franco
Nascimento: 5 de maio de 1927, na cidade de Feira de Santana, na Bahia.
Homem: médium espírita e conferencista.
1. ASPECTOS GERAIS
Desde a infância que se comunica com os Espíritos. Cursou a Escola Normal Rural de Feira de Santana, recebendo o diploma de professor primário, em 1943. Aos 18 anos, em 1945, Divaldo mudou-se para Salvador, tendo sido aprovado no concurso para o IPASE (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado), onde ingressou em 05 de novembro de 1945. Administra a Mansão do Caminho, gigantesca obras social educacional em Salvador, que está atendendo atualmente a 3.000 crianças carentes por dia. 
2. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
Ainda jovem, foi abalado pela morte de seu irmão mais velho, o que o deixou traumatizado e enfermo. Foram consultados diversos médicos especialistas, sem obter nenhum resultado satisfatório. Foi a mão amiga de dona Ana Ribeiro Borges que o conduziu à Doutrina Espírita, libertando-o do trauma e trazendo a consolação tanto para ele, como para toda a família.
3. TRABALHO DE PSICOGRAFIA
Espírita convicto, fundou o Centro Espírita Caminho da Redenção em 7 de setembro de 1947. Dois anos depois iniciou a sua tarefa de psicografia. Diversas mensagens foram escritas por seu intermédio. Sob a orientação dos Benfeitores Espirituais guardou o que escreveu, até que um dia recebeu a recomendação de que queimasse tudo o que escrevera até ali, pois não passava de simples exercício.
Com a continuação, vieram novas mensagens assinadas por diversos Espíritos, dentre eles, Joanna de Ângelis, que durante muito tempo apresentava-se como "um Espírito Amigo", ocultando-se no anonimato à espera do instante oportuno para se apresentar. Joanna revelou-se como sua orientadora espiritual, escrevendo inúmeras mensagens, num estilo agradável repassado de profunda sabedoria e infinito amor, que conforta as pessoas necessitadas de diretriz espiritual.
4. MOVIMENTO ESPÍRITA E HOMENAGENS 
Percorreu mais de 1000 cidades, 53 países e 11.000 palestras proferidas. Recebeu quase 600 homenagens, procedentes de Instituições culturais, políticas, universidades, associações beneficentes, núcleos espiritualistas, centros espíritas etc., destacando-se o título de Doutor Honoris Causa em Humanidades pela Universidade do Canadá e, no Brasil, mais de 80 títulos de cidadania. 
5. OBRAS
Em, 1964, Joanna de Ângelis selecionou várias mensagens de sua autoria e enfeixou-as no livro "Messe de Amor", que se tornou o primeiro livro psicografado por Divaldo. Atualmente, o médium é recordista e conta com 175 títulos publicados, incluindo os biográficos que retratam a sua vida e obra. Seis milhões de exemplares (edições e reedições), sendo que cerca de 80 obras foram traduzidas para outros idiomas (francês, inglês, castelhano, polonês, checo, esperanto, alemão, turco, sueco, holandês, albanês italiano e braille)
Fonte: FERNANDES, Washington Luís Nogueira. Atos do Apóstolo Espírita: Conheça um pouco a Vida de Divaldo. São Paulo: Feesp, 2000. 

Deolindo Amorim

Dados pessoais: 
Nome
: Deolindo Amorim.  
Nascimento
: 23/01/1908.  
Homem
: jornalista, escritor, sociólogo e espírita.  
Desencarne
: 24 de abril de 1984 (76 anos).
1. ASPECTOS GERAIS
Nasceu em Baixa Grande, interior da Bahia. Foi para o Rio de Janeiro em 1929, para prestar o serviço militar obrigatório e aí ficou residindo em definitivo, casando-se com dona Delta dos Santos Amorim, sua dedicada companheira, de cujo enlace nasceram Paulo Henrique S. Amorim, Rosa Maria A. R. Valle e Marília dos Santos Amorim.
2. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
De religião católica, em certa época professou também o protestantismo, mas integrando-se por volta de 1932, em reuniões do C. E. Jorge Niemeyer, no Espiritismo, serviu com inexcedível dedicação, com total fidelidade a Allan Kardec, tornando-se ao longo dos anos um intérprete fiel da Doutrina Consoladora. Deolindo Amorim foi um intelectual que se dedicou ao Espiritismo, que assimilou a Doutrina integrando-se na mundividência espírita.
3. MOVIMENTO ESPÍRITA
Expositor hábil, lúcido e convincente, proferiu inúmeras palestras e conferências, uma delas sobre o "Suicídio à Luz do Espiritismo" no Instituto Pinel (Hospital de Doentes Mentais), da Universidade do Brasil, levando, assim, as idéias espíritas ao ambiente universitário não-espírita. Estampou colaboração constante em diversos órgãos do Brasil e do exterior, tendo sido também redator de Mundo Espírita (antigamente no Rio e posteriormente transferido para o Paraná) e de Estudos Psíquicos, revista que se edita em Lisboa (Portugal)
4. OBRAS
Eis alguns títulos:
Africanismo e Espiritismo (com uma edição na Argentina);
O Espiritismo e os Problemas Humanos(com uma edição na Argentina);
Espiritismo à Luz da Crítica;
Espiritismo e Criminologia;
O Espiritismo e as Doutrinas Espiritualista;
Extraído do livro Recordando Deolindo Amorim, de CELSO MARTINS. Capivari, Gráfica e Editora do Lar/ABC do Interior, 1989.

Chico Xavier

Dados pessoais: 
Nome: Francisco Cândido Xavier
Nascimento: 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais
Homem: médium espírita
Desencarne: 30 de junho de 2002, em Uberaba, Minas Gerais.
1. INFÂNCIA
Seu sofrimento começou desde os primeiros anos de sua existência. Quando tinha 5 anos de idade sua mãe veio a falecer. De família numerosa e poucas posses, seu pai achou por bem distribuir os filhos entre os parentes. Na diáspora da família, Chico vai para a casa da madrinha, dona Maria Rita de Cássia, uma mulher extremamente maldosa que, entre outras, dava-lhe uma surra todo o dia, enfiava o garfo em sua barriga e, certa vez, obrigou-o a lamber a ferida de um outro menino adotivo.
2. FENÔMENO MEDIÚNICO

fenômeno mediúnico é o marco fundamental de sua existência. Hoje, tem mais de 400 obras psicografadas, que transformadas em tempo, perfazem aproximadamente 11 anos de transe mediúnico. Sua atividade mediúnica começou desde garoto, isto é, desde os 5 anos de idade, quando já conversava com sua mãe desencarnada. Dela recebia uma série de conselhos que o ajudaram a suportar todos os revezes e dissabores de sua infância sofrida junto à sua madrinha. Educado no catolicismo, não foi muito fácil a aceitação dos parentes e amigos sobre o desenvolvimento de sua mediunidade.
3. GUIA PROTETOR

O Espírito Emmanuel é o seu guia protetor. Esse espírito, como a maioria dos Espíritas sabe, foi Públio Lêntulus, senador romano da Antigüidade. Diz-se também que ele teve uma reencarnação no Brasil como Padre Manoel da Nóbrega. É por intermédio de Emmanuel que o Chico Xavier escreveu a maioria de seus livros. Além disso, guia-o, inclusive, no aprimoramento do idioma português, para melhor expressar a Doutrina dos Espíritos. Confessa isso no programa Pinga Fogo, levado ao ar pela antiga TV Tupi, em 1971.
4. PASSAGENS INTERESSANTES 
A vida de Chico Xavier é entremeada de muitos fatos, entre os quais, relatamos:
1º) para auxiliar um cego que tinha sofrido uma queda, precisou da colaboração de 2 prostitutas, que depois mudaram de vida em virtude de suas preces;
2º) relata o episódio do avião, que em pleno vôo começou a fazer peripécias no espaço e, ele como os demais tripulantes, começaram a gritar no que Emmanuel retruca: "Se tiver de morrer, morra com educação";
3º) sua vizinha roubava-lhe as verduras. Pede auxílio à sua mãe, já desencarnada. Esta aconselha-o, quando todos saírem, a entregar a chave da casa para a vizinha tomar conta. Conseqüência: acabou o furto.
5. OBRAS
Dada a vastidão de títulos, citaremos apenas alguns:
Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, pelo Espírito Humberto de Campos;
A Caminho da Luz, pelo Espírito Emmanuel;
Nosso Lar, pelo Espírito André Luiz;
Vinha de Luz, pelo Espírito Emmanuel. 
Fonte de Consulta

IBSEN, S. R. (Organizador). Chico Xavier por ele mesmo. São Paulo, Martin Claret, 1994.

Francisco Cândido Xavier

Sérgio Biagi Gregório
Francisco Cândido Xavier nasceu no dia 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, começando o seu longo sofrimento desde os primeiros anos de sua existência. Quando tinha 5 anos de idade sua mãe veio a falecer. De família numerosa e poucas posses, seu pai achou por bem distribuir os filhos entre os parentes. Na diáspora da família, Chico vai para a casa da madrinha, dona Maria Rita de Cássia, uma mulher extremamente maldosa que, entre outras, dava-lhe uma surra todo o dia, enfiava o garfo em sua barriga e, certa vez, obrigou-o a lamber a ferida de um outro menino adotivo.
fenômeno mediúnico é o marco fundamental de sua existência. Hoje, tem mais de 400 obras psicografadas, que transformadas em tempo, perfazem aproximadamente 11 anos de transe mediúnico. Sua atividade mediúnica começou desde garoto, isto é, desde os 5 anos de idade, quando já conversava com sua mãe desencarnada. Dela recebia uma série de conselhos que o ajudaram a suportar todos os revezes e dissabores de sua infância sofrida junto à sua madrinha. Educado no catolicismo, não foi muito fácil a aceitação dos parentes e amigos sobre o desenvolvimento de sua mediunidade.
O Espírito Emmanuel é o seu guia protetor. Esse espírito, como a maioria dos Espíritas sabe, foi Públio Lêntulus, senador romano da Antigüidade. Diz-se também que ele teve uma reencarnação no Brasil como Padre Manoel da Nóbrega. É por intermédio de Emmanuel que o Chico Xavier escreveu a maioria de seus livros. Além disso, guia-o, inclusive, no aprimoramento do idioma português, para melhor expressar a Doutrina dos Espíritos. Confessa isso no programa Pinga Fogo, levado ao ar pela antiga TV Tupi, em 1971.
A vida de Chico Xavier é entremeada de muitos fatos, entre os quais, relatamos: 1º) para auxiliar um cego que tinha sofrido uma queda, precisou da colaboração de 2 prostitutas, que depois mudaram de vida em virtude de suas preces; 2º) relata o episódio do avião, que em pleno vôo começou a fazer peripécias no espaço e, ele como os demais tripulantes, começaram a gritar no que Emmanuel retruca: "Se tiver de morrer, morra com educação"; 3º) sua vizinha roubava-lhe as verduras. Pede auxílio à sua mãe, já desencarnada. Esta aconselha-o, quando todos saírem, a entregar a chave da casa para a vizinha tomar conta. Conseqüência: acabou o furto.
Emmanuel, o grande protetor do Brasil, cujas obras evangélicas constituem o 5º Evangelho, dá sempre orientações ao médium Chico Xavier. Fala-lhe sobre a disciplina, a porta estreita e o caminho reto. Diz que as limitações físicas não devem ser consideradas como obstáculos, mas um grande incentivo à pratica da mediunidade, pois quem poderia afirmar que a riqueza, a saúde, a comodidade e outras facilidades não lhe tirariam a devida concentração e meditação para o trabalho mediúnico?
Todo o espírita deveria conhecer a biografia de Chico Xavier, pois, quer queiramos ou não, a sua mediunidade é responsável pela maioria de nossas idéias acerca do Espiritismo.
Fonte de Consulta
IBSEN, S. R. (Organizador). Chico Xavier por ele mesmo. São Paulo, Martin Claret, 1994.
São Paulo, 22.07.98.

Camille Flammarion

Dados pessoais:Nome: Camille Flammarion
Nascimento
: 26/02/1842, em Montigny- Le-Roy, França.
Homem
: cientista, filósofo e espírita.
Desencarne
: 04/06/1925, em Juvissy no mesmo país.
1. ASPECTOS GERAIS
Flammarion foi um homem cujas obras encheram de luzes o século XIX. Ele era o mais velho de uma família de quatro filhos, entretanto, desde muito jovem se revelaram nele qualidades excepcionais. Queixava- se constantemente que o tempo não lhe deixava fazer um décimo daquilo que planejava. Aos quatro anos de idade já sabia ler, aos quatro e meio sabia escrever e aos cinco já dominava rudimentos de gramática e aritmética. Tornou- se o primeiro aluno da escola onde freqüentava. Para que ele seguisse a carreira eclesiástica, puseram- no a aprender latim com o vigário Lassalle. Aí Flammarion conheceu o Novo Testamento e a Oratória. Em pouco tempo estava lendo os discursos de Massilon e Bonsuet. O padre Mirbel falou da beleza da ciência e da grandeza da Astronomia e mal sabia que um de seus auxiliares lhe bebia as palavras. Esse auxiliar era Camille
2. OBSERVATÓRIO DE PARIS
Por longo período de tempo fez estudos no Observatório de Paris. Retirando-se dele em 1862, continuou com mais liberdade os seus estudos, no sentido de legar à Humanidade os mais belos ensinamentos sobre as regiões silenciosas do Infinito. Livre da atmosfera sufocante do Observatório, publicou no mesmo ano a sua obra Pluralidade dos Mundos Habitados, atraindo a atenção de todo o mundo estudioso. Para conhecer a direção das correntes aéreas, realizou, no ano de 1868, algumas ascensões aerostáticas. Pela publicação de sua Astronomia Popular, recebeu da Academia Francesa, no ano de 1880, o prêmio Montyon. Em 1870 escreveu e publicou um tratado sobre a rotação dos corpos celestes, através do qual demonstrou que o movimento de rotação dos planetas é uma aplicação da gravidade às suas densidades respectivas. 
3. ATUANDO COMO ESPÍRITA
Tornando- se espírita convicto, foi amigo pessoal e dedicado de Allan Kardec, tendo sido o orador designado para proferir as últimas palavras à beira do túmulo do Codificador do Espiritismo, a quem denominou o bom senso encarnado. Camille Flammarion, segundo Gabriel Delanne, foi um filósofo enxertado em sábio, possuindo a arte da ciência e a ciência da arte. Flammarion--poeta dos Céus, como o denominava Michelet -- tornou- se baluarte do Espiritismo, pois, sempre coerente com suas convicções inabaláveis, foi um verdadeiro idealista e inovador.
4. OBRAS
Suas obras, de uma forma geral, giram em torno do postulado espírita da pluralidade dos mundos habitados e são as seguintes: 
Os Mundos Imaginários e os Mundos Reais;
As Maravilhas Celestes;
 Deus na Natureza;
Contemplações Científicas;
Estudos e Leitura sobre Astronomia;
Atmosfera;
Astronomia Popular;
Descrição Geral do Céu;
O Mundo antes da Criação do Homem;
 Os Cometas;
As Casas Mal- Assombradas;
Narrações do Infinito;
Sonhos Estelares;
Urânia;
Estela;
O Desconhecido;
A Morte e seus Mistérios;
Problemas Psíquicos;
O Fim do Mundo
 e outras. 
fonte: Grandes Vultos do Espiritismo

Cairbal Schutel

Dados pessoais:
Nome: Cairbar de Souza Schutel
Nascimento:22 de setembro de 1868, no Rio de Janeiro
Homem: farmacêutico, prefeito da Cidade de Matão e espírita. Desencarne: 30 de janeiro de 1938, em Matão. 

1. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO
Nascido em família católica, batizado aos 7 anos de idade, Cairbar Schutel cumpria suas obrigações perante a Igreja de Roma. Entretanto, já adulto e vivendo em Matão, passou a receber, em sonhos, a visita constante de seus falecidos pais, porque ele ficara órfão de ambos com menos de 10 anos de idade. Insatisfeito com as explicações de um padre para o fenômeno, Schutel procurou Quintiliano José Alves e Calixto Prado, que realizavam reuniões de práticas espíritas domésticas, logrando então entender a realidade do mundo extra-físico.
2. PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA

Convertido ao Espiritismo, cuidou logo de legalizar o Grupo (hoje Centro) Espírita Amantes da Pobreza, cuja ata de instalação foi lavrada no dia 15 de julho de 1905. Resolvido a difundir a Doutrina Espírita pelos quatro cantos do mundo - e mesmo vivendo em uma pequena e modesta cidade no interior do Brasil -, o "Bandeirante do Espiritismo", como ficou conhecido Cairbar Schutel, fundou o jornal "O Clarim" no dia 15 de agosto de 1905, e a RIE - Revista Internacional de Espiritismo no dia 15 de fevereiro de 1925, ambos circulando até hoje.
Além disso, o incansável arauto da Boa Nova, com todas as dificuldades da época e da região, viajava semanalmente até a cidade de Araraquara para proferir, aos domingos, as suas famosas 15 "Conferências Radiofônicas", pela Rádio Cultura de Araraquara (PRD - 4), no período de 19 de agosto de 1936 a 02 de maio de 1937.
3. OBRAS

Escreveu, entre 1911 e 1937, os seguintes os livros:
O Batismo;
Cartas a Esmo;
Conferências Radiofônicas;
Histeria e Fenômenos Psíquicos;
O Diabo e a Igreja;
Espiritismo e Protestantismo;
O Espírito do Cristianismo;
Os Fatos Espíritas e as Forças X...;
Gênese da Alma;
Interpretação Sintética do Apocalipse;
Médiuns e Mediunidades;
Espiritismo e Materialismo;
Parábolas e Ensinos de Jesus;
Preces Espíritas;
Vida e Atos dos Apóstolos;
A Questão Religiosa;
Liberdade e Progresso;
Pureza Doutrinária;
A Vida no outro Mundo;
Espiritismo para Crianças;


4. ESFORÇOS PARA PUBLICAÇÃO

Adquiriu máquinas, papel, tinta, cola e outros insumos para impressão, procurando escolher sempre material de primeira categoria. Desse esforço surgiu a Casa Editora O Clarim, que hoje emprega inúmeros funcionários em Matão, tendo publicado mais de cem títulos de obras de renomados autores, encarnados e desencarnados.
5. COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA

Dizem algumas comunicações mediúnicas que o Espírito Cairbar Schutel está, no mundo espiritual, encarregado pela divulgação do Espiritismo na Terra; sendo confirmada tal informação, essa nobre tarefa está muito dirigida, porque o movimento espírita deve muito ao querido "Bandeirante do Espiritismo", assim como à sua digníssima esposa Dª. Maria Elvira da Silva Schutel, pois, como diz a sabedoria popular, ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher!

Fonte: Grandes Vultos do Espiritismo.

Bezerra de Menezes

Dados pessoais: 
Nome: Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti.
Nascimento: 29 de agosto de 1831.
Homem: filósofo, político, médico, cientista e espírita.
Desencarne: 11 de abril de 1900 (69 anos). 

1. CONSIDERAÇÕES GERAIS 

Com 20 anos de idade, muda-se para o Rio de Janeiro, onde, às duras penas, forma-se em medicina. Cognominado o "médico dos pobres", Bezerra de Menezes tem uma biografia exemplar de renúncia para com o dever cumprido, custe ele o que custar. Antes de se tornar espírita,a sua conduta era a de um cristão. Nesse sentido, tão logo toma conhecimento de "O Livro dos Espíritos" não lhe fica difícil exclamar que era um "espírita de nascença", ou um "espírita inconsciente", pois tudo o que ali estava relatado lhe parecia familiar. 

2. EXEMPLOS DE VIDA 

1) quando convocado à política, renúncia ao soldo militar;
2) quando estudante, em dificuldade para pagar o aluguel de seu quarto, prepara aula de matemática (matéria que detestava) para aluno, que lhe pagou antecipado e nunca mais apareceu;
3) como médico, atende a qualquer hora, institui a leitura do Evangelho e renuncia à medicina ortodoxa para aceitar, a convite dos Espíritos, a homeopatia; 

3. AGLUTINADOR DO MOVIMENTO ESPÍRITA 

Naquela época havia muitas divergências com relação ao termo Espiritismo. Denominava-se Doutrina Espírita apenas o que constava de "O Livro dos Espíritos"; os estudiosos dos demais livros de Kardec, se chamavam kardecistas. Chegou-se a criar um Espiritismo Puro, equidistante de "científicos" e "místicos". Além destes existia ainda um grupo que se dedicava com afinco ao estudo das obras de J. B. Roustaing. 

Esse quadro perdurou até a chegada de Bezerra de Menezes, espírito moderado e pacificador que, assumindo a presidência da FEB, conseguiu diminuir os elementos dispersivos. 

4. OBRAS 

Antes de se tornar espírita: 
"A Escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação";
"Breves considerações sobre as secas do Norte"; 
Depois da conversão:
"A Casa Assombrada";
"A Loucura sob Novo Prisma";
"A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica";
"Casamento e Mortalha";
"Pérola Negra";
"Lázaro -- o Leproso";
"História de um Sonho";
"Evangelho do Futuro".
Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de "A Reforma", órgão liberal da Corte, e redator do jornal "Sentinela da Liberdade". 

ABREU, C. Bezerra de Menezes - Subsídios para a História do Espiritismo no Brasil, até o ano de 1895. 76.
GAMA, R. lindos Casos de Bezerra de Menezes. São Paulo, Lake.


Fonte:http://www.ceismael.com.br/bio/biografia-bezerra-de-menezes.htm

Amélie Gabrielle Boudet (Mms Allan Kardec)

Amélie Gabrielle Boudet nasceu em Thiais, comuna do Departamento do Val-de-Marne, a 12 quilômetros ao sul de Paris a 23 de novembro de 1795. Filha única de Julien Louis Boudet e de Julie Louise Segneat de Lacomb, Améllie aliou desde cedo grande vivacidade a forte interesse pelos estudos, tendo uma fina educação moral, o que lhe proporcionou apurados dotes intelectuais. 

Diplomou-se numa Escola Normal em Paris, em professora de 1ª Classe e, segundo Canuto Abreu, em O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária, foi também professora de Letras e Belas Artes. Escreveu diante desta fecundidade intelectual, 3 obras: Contos Primaveris (1825), Noções de Desenho (1826), O Essencial em Belas Artes (1828). Imersa em meio de tanta cultura, tornou-se óbvio o encontro de almas afins, o encontro com o circunspecto, polido e reto, Hypollite Leon Denizard Rivail. 

Veio o consórcio matrimonial à 6 de fevereiro de 1832, reafirmando um amor de vidas passadas, cujo compromisso mútuo de auxílio, os religaram de maneira tão apropriada . Apesar da diferença de 9 anos, a vivacidade que lhe era inerente, se tornou cúmplice de tamanho amor. 

Seguindo a sua formação pestalozziana, Kardec veio a fundar um Instituto Técnico com base nos métodos do seu professor. Amélie acompanhou-o através de uma fase difícil para a educação francesa, que não tinha o apoio governamental para o ensino primário, o que só se modificou em 1833. Dois anos após, este Instituto veio a cerrar as suas portas por dificuldades financeiras. Amélie como toda grande mulher, apoiou-lhe em momento tão revés, auxiliando-lhe enquanto ele fazia a contabilidade de estabelecimentos comerciais, na preparação de cursos gratuitos que eles deram origem em 1835, na sua própria casa. 

Diante de tanta luta e empenho, o casal Rivail veio a restabelecer sua situação financeira. Sr. Rivail tornou-se bastante respeitado em meio acadêmico, através de obras pedagógicas adotadas pela Universidade de França, cursos públicos de matemática e astronomia, para alunos e professores. 

Em 1854, em meio a fenomenologia das mesas girantes e ao célebre episódio de Hydlesville (em Nova York), a Europa estava imersa no maravilhoso e desconhecido limite entre os planos físicos e espiritual. Através de Sr. Baudin, Rivail assistia a sua primeira manifestação da Dança das Mesas, em 1855 iniciar seus primeiros estudos em casa do amigo. Amélie o acompanhava, irradiando uma alegria pelo novo horizonte que descortinava a sua mente. 

Iniciando a escrita do Pentateuco, Rivail encontrava em sua esposa a incentivadora, secundando-lhe nos árduos, porém tão dignos trabalhos. Rivail lança em 1º de janeiro de 1858, o Livro dos Espíritos com o apoio de sua esposa. Dado ao âmbito de suas atividades, a sua casa tornou-se foco de sucessivas reuniões que exigiram de Sra. Rivail extenuante, porém abnegado zelo pelos que ali chegavam. Tamanha era a frequência das pessoas, que levou um grande número a sua casa deixando-a apertada a ponto de Sr. Rivail em abril de 1858 criar a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. 

A época era de extremo domínio clerical, o que rendeu a Sr. Rivail inimigos gratuitos, injúrias, calunias, traições... Amélie era a consolação e o amparo para o codificador. 

Iniciaram-se as célebres viagens de Kardec, que tinham, na medida do possível, a compania da abnegada esposa. 

Aos 31 de março de 1969, Kardec desencarnava. Amélie dava testemunho vivo do entendimento da proposta espírita, apesar da profunda dor. Trinta e sete anos acompanhando o Mestre Lionês, na infinita luta em prol do esclarecimento da humanidade. Silenciara Madame Rivail em face as calúnias que foram feitas ao seu iluminado marido. 

Recebera manifestações da França e do estrangeiro, e uma manifestação incontestável dos espiritistas dos préstimos do Bom Senso Encarnado, que arrecadaram contribuições para erguerem um dólmen que lembra as arquiteturas druidescas, e um busto de bronze do Mestre Lionês, inaugurada a 31 de março de 1870. 

O desencarne e morte de Kardec em nada abalou o espírito trabalhador e virtuoso de Madame Rivail, que geriu, apesar da avançada idade, os recursos, as propriedades e as obras que a tinham como única proprietária. O seu empenho pessoal deu motivação ao prosseguimento da doutrina, fazendo do seu esforço pessoal a marca viva do entendimento concreto e real, de um pensamento que vive até hoje em nossa mentes e corações. 

Sr. Leymarie foi um dos mais célebres colaboradores da doutrina, assumindo a administração da Revue Spirite, ajudando Sra. Rivail na propagação da doutrina espírita. Teve a Sociedade Espírita o nome: Madame Allan Kardec, o que causou ciúmes de determinados membros, mas a anciã em Assembléia pediu que fosse chamada: Sociedade para a continuação das Obras espíritas de Allan Kardec. Aos 87 anos, mantinha a lucidez que poucas pessoas conseguem ter. 

Desencarnou a 23 de janeiro de 1883, sendo enterrada junto ao dólmen de Allan Kardec. Participaram do seu enterro Gabriel Delane, Sr. Leymarie, entre outros e Sr. Lecoq que leu uma mensagem de Antônio de Pádua que relatara a chegada na espiritualidade daquele ser tão bem-aventurado. 
Fonte:http://www.geae.inf.br/pt/biografias/amelie-boudet.php

Biografia de Allan Kardec


Nascido em Lion, a 3 de outubro de 1804, de uma família antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia, Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail) não seguiu essas carreiras. Desde a primeira juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências e da filosofia.
Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha.
Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino, pelo seu caráter e pelas suas aptidões especiais, já aos catorze anos ensinava o que sabia àqueles dos seus condiscípulos que haviam aprendido menos do que ele. Foi nessa escola que lhe desabrocharam as idéias que mais tarde o colocariam na classe dos homens progressistas e dos livre-pensadores.
Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a idéia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio durante longos anos com o intuito de alcançar a unificação das crenças. Faltava-lhe, porém, o elemento indispensável à solução desse grande problema. O Espiritismo veio, a seu tempo, imprimir-lhe especial direção aos trabalhos.
Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã, traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e, o que é muito característico, as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.
Era membro de várias sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de Arras, que, em o concurso de 1831, lhe premiou uma notável memória sobre a seguinte questão: Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?
De 1835 a 1840, fundou, em sua casa, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia, etc., empresa digna de encômios em todos os tempos, mas, sobretudo, numa época em que só um número muito reduzido de inteligências ousava enveredar por esse caminho.
Preocupado sempre com o tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou, ao mesmo tempo, um método engenhoso de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, tendo por objetivo fixar na memória as datas dos acontecimentos de maior relevo e as descobertas que iluminaram cada reinado.
Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as seguintes: Plano proposto para melhoramento da Instrução pública (1828); Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método Pestalozzi, para uso dos professores e das mães de família (1824); Gramática francesa clássica (1831); Manual dos exames para os títulos de capacidade; Soluções racionais das questões e problemas de Aritmética e de Geometria (1846); Catecismo gramatical da língua francesa (1848); Programa dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia, Fisiologia, que ele professava no Liceu Polimático; Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona, seguidos de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra muito apreciada na época do seu aparecimento e da qual ainda recentemente eram tiradas novas edições.

Antes que o Espiritismo lhe popularizasse o pseudônimo de Allan Kardec, já ele se ilustrara, como se vê, por meio de trabalhos de natureza muito diferente, porém tendo todos, como objetivo, esclarecer as massas e prendê-las melhor às respectivas famílias e países.
Pelo ano de 1855, posta em foco a questão das manifestações dos Espíritos, Allan Kardec se entregou a observações perseverantes sobre esse fenômeno, cogitando principalmente de lhe deduzir as conseqüências filosóficas. Entreviu, desde logo, o princípio de novas leis naturais: as que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível. Reconheceu, na ação deste último, uma das forças da Natureza, cujo conhecimento haveria de lançar luz sobre uma imensidade de problemas tidos por insolúveis, e lhe compreendeu o alcance, do ponto de vista religioso.
Suas obras principais sobre esta matéria são: O Livro dos Espíritos, referente à parte filosófica, e cuja primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns, relativo à parte experimental e científica (janeiro de 1861); O Evangelho segundo o Espiritismo, concernente à parte moral (abril de 1864); O Céu e o Inferno, ou A justiça de Deus segundo o Espiritismo (agosto de 1865); A Gênese, os Milagres e as Predições (janeiro de 1868); A Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, periódico mensal começado a 1º de janeiro de 1858. Fundou em Paris, a 1º de abril de 1858, a primeira Sociedade espírita regularmente constituída, sob a denominação de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo fim exclusivo era o estudo de quanto possa contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu, com inteiro fundamento, de coisa alguma haver escrito debaixo da influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e calmo, observou os fatos e de suas observações deduziu as leis que os regem. Foi o primeiro a apresentar a teoria relativa a tais fatos e a formar com eles um corpo de doutrina, metódico e regular.
Demonstrando que os fatos erroneamente qualificados de sobrenaturais se acham submetidos a leis, ele os incluiu na ordem dos fenômenos da Natureza, destruindo assim o último refúgio do maravilhoso e um dos elementos da superstição.
Durante os primeiros anos em que se tratou de fenômenos espíritas, estes constituíram antes objeto de curiosidade, do que de meditações sérias. O Livro dos Espíritos fez que o assunto fosse considerado sob aspecto muito diverso. Abandonaram-se as mesas girantes, que tinham sido apenas um prelúdio, e começou-se a atentar na doutrina, que abrange todas as questões de interesse para a Humanidade.
Data do aparecimento de O Livro dos Espíritos a fundação de Espiritismo que, até então, só contara com elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance nem toda gente pudera apreender. A partir daquele momento, a doutrina prendeu a atenção de homens sérios e tomou rápido desenvolvimento. Em poucos anos, aquelas idéias conquistaram numerosos aderentes em todas as camadas sociais e em todos os países. Esse êxito sem precedentes decorreu sem dúvida da simpatia que tais idéias despertaram, mas também é devido, em grande parte, à clareza com que foram expostas e que é um dos característicos dos escritos de Allan Kardec.
Evitando as fórmulas abstratas da Metafísica, ele soube fazer que todos o lessem sem fadiga, condição essencial à vulgarização de uma idéia. Sobre todos os pontos controversos, sua argumentação, de cerrada lógica, poucas oportunidades oferece à refutação e predispõe à convicção. As provas materiais que o Espiritismo apresenta da existência da alma e da vida futura tendem a destruir as idéias materialistas e panteístas. Um dos princípios mais fecundos dessa doutrina e que deriva do precedente é o da pluralidade das existências, já entrevisto por uma multidão de filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, por João Reynaud, Carlos Fourier, Eugênio Sue e outros. Conservara-se, todavia, em estado de hipótese e de sistema, enquanto o Espiritismo lhe demonstrara a realidade e prova que nesse princípio reside um dos atributos essenciais da Humanidade. Dele promana a explicação de todas as aparentes anomalias da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais, facultando ao homem saber donde vem, para onde vai, para que fim se acha na Terra e por que aí sofre.
As idéias inatas se explicam pelos conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores; a marcha dos povos e da Humanidade, pela ação dos homens dos tempos idos e que revivem, depois de terem progredido; as simpatias e antipatias, pela natureza das relações anteriores. Essas relações, que religam a grande família humana de todas as épocas, dão por base, aos grandes princípios de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de solidariedade universal, as próprias leis da Natureza e não mais uma simples teoria.
Em vez do postulado: Fora da Igreja não há salvação, que alimenta a separação e a animosidade entre as diferentes seitas religiosas e que há feito correr tanto sangue, o Espiritismo tem como divisa: Fora da Caridade não há salvação, isto é, a igualdade entre os homens perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a benevolência mútua.
Em vez da fé cega, que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inabalável, senão a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade. A fé, uma base se faz necessária e essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se tem de crer. Para crer, não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é para este século. É precisamente ao dogma da fé cega que se deve o ser hoje tão grande o número de incrédulos, porque ela quer impor-se e exige a abolição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio.
Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixá-la, Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de local, imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações. Diversas obras que ele estava quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume, demonstrarão um dia, ainda mais, a extensão e o poder das suas concepções.
Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração, que só podia ser combatida por meio do repouso intelectual e pequena atividade material. Consagrado, porém, todo inteiro à sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, à custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha.
O corpo se lhe entorpecia e se recusava aos serviços que o Espírito lhe reclamava, enquanto este último,cada vez mais vivo, mais enérgico, mais fecundo, ia sempre alargando o círculo de sua atividade.
Nessa luta desigual não podia a matéria resistir eternamente. Acabou sendo vencida: rompeu-se o aneurisma e Allan Kardec caiu fulminado. Um homem houve de menos na Terra; mas, um grande nome tomava lugar entre os que ilustraram este século; um grande Espírito fora retemperar-se no Infinito, onde todos os que ele consolara e esclarecera lhe aguardavam impacientemente a volta!
A morte, dizia, faz pouco tempo, redobra os seus golpes nas fileiras ilustres!... A quem virá ela agora libertar?
Ele foi, como tantos outros, recobrar-se no Espaço, procurar elementos novos para restaurar o seu organismo gasto por um vida de incessantes labores. Partiu com os que serão os fanais da nova geração, para voltar em breve com eles a continuar e acabar a obra deixada em dedicadas mãos.
O homem já aqui não está; a alma, porém, permanecerá entre nós. Será um protetor seguro, uma luz a mais, um trabalhador incansável que as falanges do Espaço conquistaram. Como na Terra, sem ferir a quem quer que seja, ele fará que cada um lhe ouça os conselhos oportunos; abrandará o zelo prematuro dos ardorosos, amparará os sinceros e os desinteressados e estimulará os mornos. Vê agora e sabe tudo o que ainda há pouco previa! Já não está sujeito às incertezas, nem aos desfalecimentos e nos fará partilhar da sua convicção, fazendo-nos tocar com o dedo a meta, apontando-nos o caminho, naquela linguagem clara, precisa, que o tornou aureolado nos anais literários.
Já não existe o homem, repetimo-lo. Entretanto, Allan Kardec é imortal e a sua memória, seus trabalhos, seu Espírito estarão sempre com os que empunharem forte e vigorosamente o estandarte que ele soube sempre fazer respeitado.
Uma individualidade pujante constituiu a obra. Era o guia e o fanal de todos. Na Terra, a obra subsistirá o obreiro. Os crentes não se congregarão em torno de Allan Kardec; congregar-se-ão em torno do Espiritismo, tal como ele o estruturou e, com os seus conselhos, sua influência, avançaremos, a passos firmes, para as fases ditosas prometidas à Humanidade regenerada.
(observação- grifos nossos).

  • O PENSAMENTO DE KARDEC
  • "Fora da Caridade não há salvação. Isto é, a igualdade entre o shomens perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e benevolência mútua".
  • "O Espiritismo se dirige aos que não crêem ou que duvidam, e não aos que têm fé e a quem essa fé é suficiente; ele não diz a ninguém que renuncie às suas crenças para adotar as nossas , e nisto é consequënte com os princíp[ios de tolerância e de liberdade de consciência que professa. Por esse motivo não poderíamos aprovar as tentativas feitas por certas pessoas para converter às nossas idéias o clero, de qualquer comunhão que seja. Repetiremos,pois, a todos os espíritas: acolhei com solicitude os homens de boa-vontade; oferecei a luz aos que a procuram, porque com os que crêem não sereis bem sucedidos; não façais violênci à fé de ninguém, muito menos quanto ao clero que aos seculares, porque semeareis em campos áridos; ponde a luz em evidência, para que a vejam os que quiserem ver; mostria os frutos da árvore e deles dai de comer aos que têm fome e não aos que se dizem saciados.
  • "Reconhecei, pois, o verdadeiro espírita na prática da caridade por pensamentos, palavras e obras, e persuadi-vos de quem quer que nutra em sua alma sentimentos de animosidade, de rancor, de ódio, de inveja ou de ciúme, mente a si próprio se tem a pretensão de compreender e praticar o Espiritismo ."
  • A caridade é a lei do Cristo : amem-se uns aos outros como irmãos;- ame seu póximo como a si mesmo; perdoe seu inimigo; -não faça a outrem o que não quer que lhe façam; tudo se resume na palavra CARIDADE ."
  • Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade.
  • Nascer, Morrer, Renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a Lei.
  • Todo efeito tem uma causa; todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a potência de uma causa está na razão da grandeza do efeito.
  • Sejam quais forem os prodigios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe.
  • Reconhece-se a qualidade dos Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; respira a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes, ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à sã moral, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito.
    • Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar as suas más inclinações
    • Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará.
    • Melhorados os homens, não fornecerão ao mundo invisível senão bons espíritos; estes, encarnando-se, por sua vez só fornecerão à Humanidade corporal elementos aperfeiçoados. A Terra deixará, então, de ser um mundo expiatório e os homens não sofrerão mais as misérias decorrentes das suas imperfeições.
    • Onde quer que as minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral.
    • Pelo espiritismo a humanidade deve entrar em uma nova fase, a do progresso moral, que é a sua consequência inevitável

      domingo, 22 de janeiro de 2012

      As Irmãs Fox

      A FAMÍLIA FOX 

      Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox instalou-se em modesta casa no vilarejo de Hydesville, Estado de New York, distante cerca de 30 km da cidade de Rochester.

      O nome da família Fox origina-se do sobrenome Voss, depois Foss e finalmente Fox. Eram de origem alemã, da parte paterna; e francesa, holandesa e inglesa, da parte materna. Seus antecessores foram notoriamente dotados de faculdades paranormais.

      O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa D. Margareth Fox e mais duas filhas; Kate, com 7 anos e Margareth, com 10 anos. O casal possuia mais filhos e filhas. Entre estas, convém destacar Leah, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Mrs. Fisch, Mrs. Brown e Mrs. Underhill.

      Leah escreveu um livro, "The Missing Link", New York, 1885, no qual ela faz referência as faculdades paranormais de seus parentes anteriores.
      Inicialmente, tomaram parte nos acontecimentos somente Kate e Margareth, mas posteriormente Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subseqüentes ao de Hydesville.


      A CASA DE HYDESVILLE JÁ ERA ASSOMBRADA


      Lucretia Pulver era jovem que servira como dama de companhia do casal Bell, quando elas habitavam a referida casa até 1846. Ela contou uma curiosa história de um mascate que se hospedara com os Bells. Na noite em que o vendedor passou com aquele casal, Lucretia foi mandada a dormir na casa dos pais. Três dias depois tornaram a procurá-la. Então disseram-lhe que o mascate fora embora. Ela nunca mais viu esse homem.

      Depois disso, passado algum tempo, aproximadamente em 1844, começaram a dar-se fenomenos estranhos naquela casa. A mãe de Lucretia, Sra. Ann Pulver, que mantinha relações com a família Bell, relata que, em 1844, quando visitara a Sra. Bell, indo fazer tricô em sua companhia, ouvira desta uma queixa, Disse-lhe que se sentia muito mal e quase nao dormia à noite. Quando lhe perguntou qual a causa, a Sra. Bell declarou que se tratava de rumores inexplicáveis; parecera-lhe ter ouvido alguém a andar de um quarto para outro; acordou o marido e fe-lo levantar-se e trancar as janelas. A princípio, tentou afirmar à Sra. Pulver que possivelmente se tratasse de ratos. Posteriormente, confessou não saber qual a razão de tais rumores, para ela inexplicáveis.

      A jovem Lucretia Pulver também testemunhou os fenômenos insólitos observados naquela casa.

      Os Bells terminaram por mudar-se.

      Em 1846, instalou-se ali a família Weekman: Sr. Michael Weekman, Sra. Hannah Weekman e suas filhas. Alguns dias após terem-se alojado na referida casa, passaram a ser perturbados por ruídos insólitos: batidas na porta da entrada, sem que ninguém visível o estivesse fazendo; passos de alguém andando na adega ou dentro de casa.

      A família Weekman, como era de esperar-se, não permaneceu muito tempo naquela casa sinistra. Em fins de 1847 deixou-a vaga, saindo de lá definitivamente.

      Desse modo, atingimos a data de 11 de dezembro de 1847, quando a referida casa passou a ser ocupada pela família Fox, conforme já mencionamos no início deste artigo.


      A NOITE DAS PRIMEIRAS TRANSCOMUNICAÇÕES
      Inicialmente os Fox não sofreram nenhum incômodo em sua nova residência. Entretanto, algum tempo depois, mais precisamente nos dois primeiros meses de 1848, os mesmos ruídos insólitos que perturbaram os antigos inquilinos voltaram a manifestar-se outra vez. Eram batidas leves, sons semelhantes aos arranhões nas paredes, assoalhos e móveis, os quais poderiam perfeitamente ser confundido com rumores naturais produzidos por vento, estalos do madeiramento, ratos, etc. Por isso a família Fox não deveria ter-se sentido molestada ou alarmada. Entretando, tais ruídos cresceram de intensidade, a partir de meados de março de 1848. Batidas mais nítidas e sons de arrastar de móveis começaram a fazer-se ouvir, pondo as meninas em sobressalto, ao ponto de negarem-se a dormir sozinhas no seu quarto, e passarem a querer dormir no quarto dos pais. A princípio os habitantes da casa, ainda incrédulos quanto à possível origem sobrenatural dos ruídos, levantavam-se e procuravam localizar a causas natural dos mesmos.

      Na noite de 31 de março de 1848, desencadeou-se uma série de sons muito forte e continuados. Aí, então, deu-se o primeiro lance do fantástico episódio, que ficou como um marco inamovível na história da fenomenologia paranormal. A garota de sete anos de idade - a Kate Fox - em sua espontaneidade de criança teve a audácia de desafiar a "força invisível" a repetir, com os golpes, as palmas que ela batia com as mãos! A resposta foi imediata, a cada estalo um golpe era ouvido logo a seguir! Ali estava a prova de que a causa dos sons seria uma inteligência incorpórea. Para apreciar-se bem o sabor desta incrível aventura, vamos transcrever alguns trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox.

      "Na noite de sexta-feira, 31 de março de 1848, resolvemos ir para a cama um pouco mais cedo e não nos deixamos perturbar pelos barulhos; íamos ter uma noite de repouso. Meu marido que aqui estava em todas as ocasiões, ouviu os ruídos e ajudou a pesquisar. Naquela noite fomos cedo para a cama - apenas escurecera. Achava-me tal alquebrada e com falta de repouso que quase me sentia doente. Meu marido não tinha ido para a cama quando ouvimos o primeiro ruído naquela noite. Eu apenas me havia deitado. A coisa começou como de costume. Eu distinguia de qualquer outro ruído jamais ouvido. As meninas, que dormiam em outra cama no quarto, ouviram as batidas e procuraram fazer ruídos semelhantes, estalando os dedos. Minha filha menor, Kate, disse, batendo palmas: "Senhor Pé Rachado, Faça o que eu faço." Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número de palmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margareth disse brincando: "Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro" e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo de repetir o ensaio. Então Kate disse, na simplicidade infantil: "Oh! mamãe! eu já sei o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém quer nos pregar uma mentira."

      "Então pensei em fazer um teste que ninguém seria capaz de responder. Pedi que fossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. Instantaneamente foi dada a exata idade de cada um, fazendo pausa de um para outro, a fim de separar, até o sétimo, depois do que se fez uma pausa maior e três batidas mais fortes foram dadas, correspondendo a idade do menor, que havia morrido.

      "Então perguntei: Eh um ser humano que me responde tão corretamente? Não houve resposta. Perguntei: É um espírito? Se for, de duas batidas. Duas batidas foram ouvidas assim que fiz o pedido. Então eu disse: Se for um espírito assassinado dê duas batidas. Essas foram dadas instantaneamente, produzindo um tremor na casa. Pergutei: Foi assassinado nesta casa? A resposta foi como a precedente. A pessoa que o assassinou ainda vive? Resposta idêntica, por duas batidas. Pelo mesmo processo verifiquei que fora um homem que o assassinaram nesta casa e os seus despojos enterrados na adega; que a família era constituída de esposa e cinco filhos, dois rapazes e três meninas, todos vivos ao tempo de sua morte, mas que depois a esposa morrera. Então perguntei: Continuará a bater se chamarmos os vizinhos para que também escutem? A resposta afirmativa foi alta."

      Desse modo foram chamados vários vizinhos, os quais por sua vez convocaram outros, de maneira que, mais tarde e nos dias subseqüentes, o número de curiosos era enorme. Naquela noite compareceram o Sr. Redfield, o Sr. e Sra. Duesler e os casais Hyde e Jewell.

      "Mr. Duesler fez muitas perguntas e obteve as respostas. Em seguida indiquei vários vizinhos nos quais pude pensar, e perguntei se havia sido morto por algum deles, mas não obtive resposta. Após isso, Mr. Duesler fez perguntas e obteve as respostas. Perguntou: Foi assassinado? Resposta afirmativa. Seu assassino pode ser levado ao tribunal? Nenhuma resposta. Pode ser punido pela lei? Nenhuma resposta. A seguir disse: Se seu assassino não pode ser punido pela lei de sinais. As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto do leste, a cinco anos passado, e que o assassínio fora cometido à meia noite de uma terça-feira, por Mr......; que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo havia sido enterrado; tinha passado pela dispensa, descido a escada e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o móvel fora dinheiro.

      "Quanta a quantia: cem dólares? Nenhuma resposta. Duzentos? Trezentos? etc. Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram.

      "Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesma perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos. Meu marido ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons, mas ao anoitecer recomeçaram. Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes. No domingo os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa".

      Estes são os principais trechos do depoimento da Sra. Margareth Fox, que mais nos interessam para dar uma descrição viva dos acontecimentos de Hydesville, na sinistra noite de 31 de março de 1848.


      AS ESCAVAÇÕES NA ADEGA
      Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado. Eis que, através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, chegaram à identidade da vítima. Tratava-se de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, há quatro anos passado, fora assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo inquilino. Só poderia ter sido o Sr. Bell... Mas onde a prova do fato, o cadáver da vítima? A solução seria procurá-lo na adega, onde estaria enterrado.

      As escavações, porém, não levaram a resultados definitivos, pois deram n'água, sem que se tivessem encontrado quaisquer indício. Por essa razão foram suspensas.

      No verão de 1848, o próprio Sr. David Fox auxiliado por alguns interessados retomou o empreendimento. A uma profundidade de um metro e meio, encontraram uma tábua. Aprofundada a cova, encontraram o carvão, cal, cabelos e alguns fragmentos de ossos que foram reconhecidos por um médico como pertencentes a esqueleto humano; mais nada.

      As provas do crime eram precárias e insuficientes, razão talvez pela qual o Sr. Bell não foi denunciado.


      A DESCOBERTA DO ESQUELETO


      Em o número de 23 de novembro de 1904, do Boston Journal, foi notificada a descoberta do esqueleto de um homem cujo Espírito se supunha ter ocasionado os fenômenos na casa da família Fox em 1848. Meninos de uma escola achavam-se brincado na adega da casa onde moravam os Fox. A casa tinha fama de ser mal-assombrada. Em meio aos escombros de uma parede - talvez falsa - que existira na adega, os garotos encontraram as peças de um esqueleto humano.

      Junto ao esqueleto foi achada uma lata de uma espécie costumeira usada por mascates. Esta lata encontra-se agora em Lilydale, a sede central regional dos Espiritualistas Americanos, para onde foi transportada a velha casa de Hydesville.

      Como pode ver-se, cinquenta e seis anos depois, em 22 de novembro de 1904 (data do encontro do esqueleto do mascate), parece não haver dúvida de que foram confirmadas as informações obtidas em 1848 a respeito do crime ocorrido naquela casa. Este episódio constitui-se em um notável caso de TCD (transcomunicação direta). As evidências são muito fortes.


      O MOVIMENTO ESPALHA-SE


      As duas garotas, Margareth e Kate, foram afastadas de sua casa, pois suspeitava-se que os fenômenos eram ligados sobretudo à sua presença. Margareth passou a morar com seu irmão David Fox. A Kate mudou-se para Rochester, onde ficou em casa de sua irmã Leah, então casada e agora Sra. Fish. Entretanto, os ruídos insistiam em acompanhar as irmãs Fox; onde elas se achavam, ocorriam os fenômenos. Parece que agora se observava uma espécie de contágio, pois, Leah Fish, a irmã mais velha, passou a apresentar também os mesmos fenômenos. Logo mais, começaram a surgir em outras famílias:

      "Era como uma nuvém psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas suscetíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Rev. A.H.Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diacono Hale, de Greece, cidade vizinha de Rochester. Pouco depois Mrs. Sarah A. Tamlin e Mrs. Benedict de Auburn, desenvolveram notável mediunidade (...)".

      O movimento espalhar-se-ia, mais tarde, pelo mundo, conforme fora afirmado em uma das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis insistiram para que se fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente. Era uma nova mensagem que vinha do mundo dos Espíritos, conclamando os homens para uma outra posição filosófico-religiosa.



      "SPIRITUALISMO" E ESPIRITISMO 

      A "Onda Espiritualista" passou da América para a Europa, cujo terreno já se encontrava preparado pelo desenvolvimento científico, e onde os fenômenos de TC (transcomunicação) iriam ser estudados mais tarde, com rigor e profundidade pelos fundadores da "Psychical Reserch" e da Metapsiquica.

      A forma bastante comum sob a qual a manifestações de TC (transcomunicação) se apresentaram na Europa, foi a das "mesas girantes". Vamos focalizar mais adiante e resumidamente esse período, do qual tambem se originou o Espiritismo na França, gracas às investigações científicas e ao método didático do ilustre intelectual lionês, Denizard Hypplite Leon Rivail (Allan Kardec).

      Nunca é supérfluo enfatizar que não se deve confundir o "Spiritualism" com o espiritismo. O primeiro nasceu como um movimento popular, provocado por evidências a favor da crença na existência, sobrevivência e comunicabilidade do Espírito. Posteriormente o "Spiritualism"adquiriu a forma de um religiao organizada que aspira, também, ser uma Ciência e uma Filosofia.

      Agora, um ponto importante: o "Spiritualism" não incorporou a idéia da reencarnação. Ele admite apenas a continuidade da vida após a morte, sem inferno ou céu, porém em contínuo aprendizado e evolução no "Mundo Espiritual".

      Há algumas diferenças entre os princípios básicos do "Spiritualismo" e do Espiritismo. A mais profunda é a questão da "reencarnação". O Espiritismo não só aceita o renascimento, como admite a Lei do Carma, considerando serem estes os fatores naturais da evolução do Espírito. Embora Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, considere Sócrates e Platão como os precursores da idéia cristã e do Espiritismo, a sua atenção para a realidade da comunicação dos Espíritos foi despertada pelo fenômeno das "mesas girantes".


      REPERCUSSÃO ENTRE INTELECTUAIS 


      A partir do episódio das irmãs Fox, a transcomunicação, aqui no ocidente, passou atrair a atencao de um pequeno grupo de cientistas. Inicialmente, tais investigadores achavam-se, em sua maioria, imbuidos de forte cepticismo acerca do fenômenos paranormais que passaram a ganhar popularidade inusitada na Europa. Somente a curiosidade diante da estranheza de tais ocorrências conseguiu levar esses poucos cientistas a observá-las. Logo no começo da fase, as pesquisas conduziram à formação de três categorias de pessoas, conforme suas opiniões acerca da natureza dos referidos fenômenos.

      O primeiro grupo consistiu nos que viram nesses fatos uma confirmação de suas crencas na sobrevivência, na comunicabilidade e progresso dos Espíritos. A natureza do homem, para eles, era dual, e continha um componente espiritual além do material. Desta interpretação, surgiu um aspecto religioso como decorrência imediata do reconhecimento da natureza espiritual da criatura humana. O "Spiritualism", na Inglaterra, e o Espiritismo, na França, são exemplos dessa interpretação, embora ambos reivindiquem, também, para suas doutrinas, os aspectos filosóficos e científicos.

      Um segundo grupo constituiu-se, em sua maioria, por cidadãos de acentuado interesse científico. Alguns já eram cientistas profissionais, professores e investigadores em diversas áreas de conhecimento teórico e prático. Outros, com títulos e formação superior, embora nao especialistas em disciplinas científicas, sentiram-se também interessados em investigar de maneira racional os referidos fatos, denominados, na época, "fenômenos psiquicos". Daí a designação usual desta atividade: "Psychical Research" (Pesquisa Psiquica). Na França, Charles Richet deu-lhe outro nome: "Metapsiquica".

      No segundo grupo, figuravam, indistintamente, os espiritualistas, os indiferentes e os materialistas. Apenas os seguintes objetivos pareciam movê-los: confirmar ou negar os propalados fenômenos e, no caso afirmativo, descibrir a sua real causa eficiente.

      Finalmente, um terceiro grupo, compreendendo a maioria dos interessados, colocou-se em franco antagonismo relativamente aos dois primeiros. Compunha-se de cientistas, intelectuais em geral, jornalistas e pessoas comuns. Alguns eram fieis ou chefes de religiões instituídas. Grande número desses cidadãos, especialmente os intelectuais, achava-se impregnado de filosofias materialistas e havia absorvido as ideias positivistas. Revelaram-se profundamente céticos e procuraram liquidar com a crença nos aludidos fenômenos. Para eles, os fenômenos paranormais eram manifestações de superstição, ilusões e fraudes, ou alienação mental. Para alguns religiosos, poderiam ser armadilhas do "demônio", ou tentativas de indivíduos mal intencionados que visavam abalar as bases das religiões tradicionais. Outros chegavam a acreditar que se tratava da revivescencia da Magia e do Ocultismo, numa tentativa de dominio de opinião pública.


      CONCLUSÃO 

      Foi neste clima que se desenrolaram as dramáticas transcomunicações, cuja iniciativa, ao que parece, partiu do Plano Espiritual. As manifestações mais em evidência foram as chamadas "Mesas Girantes". Este episódio inaugurou o Período Espíritico, conforme a classificação de Charles Richet. Segundo este sábio, tal período vai das irmãs Fox ate as pesquisas de Sir Willian Crookes, em 1872. 



      Fonte: http://www.geae.inf.br/pt/biografias/irmas-fox.php